Andarilho ‘japonês’ com seis mil reais nos bolsos morre atropelado e é enterrado com homenagens 17/02/14 (17:44)  Icone_imagem

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Foto 1 / 1 Divulgação
Andarilho
A polícia ainda busca informações sobre a vítima

Ninguém sabe ao certo quem ele é, mas, por pelo menos 30 anos, o “japonês”, como foi intitulado por alguns moradores, andou por todos os cantos da cidade de Bauru recolhendo material reciclável, que carregava em uma carriola. Porém, sua rotina diária foi interrompida no último sábado, quando morreu atropelado em uma das principais avenidas da cidade, localizada no interior de São Paulo.

Segundo a polícia, o homem caminhava na Avenida Nações Unidas  quando foi atingido por uma caminhonete. Com o impacto, ele foi jogado longe. A vítima chegou a ser socorrida e levada ao Pronto-Socorro Central da cidade, mas não resistiu. O condutor do veículo disse que tentou, mas não conseguiu evitar o acidente. O andarilho, que aparentava ter cerca de 60 anos, não portava documentos, o que impossibilitou sua imediata identificação. Populares disseram à polícia que ele não possuía residência fixa, dormia nas ruas e costumava perambular sempre pela região.

Se o mistério já era grande por conta da sua falta de identidade, ficou ainda maior após a sua morte. Ao chegar ao hospital, o andarilho vestia sete blusas. Quando a equipe médica de plantão foi retirar as peças para que fosse conduzido ao IML, encontrou centenas de cédulas e moedas espalhadas pelos bolsos das blusas, totalizando a quantia de nada menos que R$ 6.015,96. De acordo com o boletim de ocorrência, o andarilho teria conseguido o dinheiro por meio da mendicância, já que o homem é conhecido na região e não teria passagem pela polícia por furto e roubo na cidade. Mesmo assim, a origem do valor será investigada. Como a vítima ainda não foi identificada, já que o resultado do exame papiloscópico demora em média 20 dias para ficar pronto, não é possível saber se ela recebia algum benefício social ou mesmo eventual aposentadoria.

Moradores ouvidos pela polícia, porém, revelam alguns detalhes que podem esclarecer pelo menos um pouco a história do “japonês”, que, segundo informações teria dito em uma das suas poucas conversas que era do Paraná. Uma das moradoras da cidade alega ainda que um dia o andarilho se identificou como Shimura e alegou ser da região de Ponta Grossa. Para a nikkei Mara Sakai, 57 anos, porém, o japonês disse que se chamava Shigueo Akira. “Eu passava com minha perua e ele já até me conhecia. Chorei quando soube da morte”, afirma ela.

Enquanto isso, um taxista que fica na rodoviária da cidade relatou aos policiais que, há cerca de seis meses, uma moça foi até o local e se apresentou co-mo filha do andarilho. Ela teria dito que era de Marília. O taxista ainda conta que, frequentemente, via uma pessoa trazendo dinheiro e roupa para o homem, e, que, apesar dele dizer quando perguntado que não tinha família, se emocionava quando o assunto era esse.

Após o corpo ficar cinco dias no Instituto Médico Legal sem nenhum familiar fazer a identificação, o andarilho foi enterrado, na última quinta-feira, como indigente. Uma moradora da cidade até se propôs a doar um jazigo, porém, a burocracia impediu que ele fosse enterrado em um cemitério particular. Diante da história, cerca de 40 pessoas compareceram ao enterro para prestar a última homenagem. Segundo a polícia, os R$ 6 mil encontrados nos bolsos do japonês serão depositados em uma conta à disposição da Justiça, sendo posteriormente revertido ao Estado, caso nenhum parente queira reaver a quantia.

Continua...(impresso)



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